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Refluxo no bebé

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Esta semana, nas minhas redes sociais, falei um pouco sobre refluxo gastro-esofágico (RGO) no bebé. Hoje deixo-vos aqui um resumo com o essencial sobre este tema!

Em primeiro lugar, é importante separar o refluxo gastro-esofágico simples da doença de refluxo gastro-esofágico. O primeiro, é fisiológico, o segundo, embora bastante comum, entra já no campo da patologia.

O refluxo gastro-esofágico simples, é muito frequente no período neonatal, com uma incidência de cerca de 25%.
É uma condição fisiológica do recém-nascido. Na realidade deve-se a uma imaturidade do esfíncter muscular do esófago (cardia), que permite a saída do conteúdo gástrico, sendo este conteúdo enviado de volta pelo esófago até à boca e provocando regurgitações.
Este é um tipo de refluxo sem gravidade e sem consequências no desenvolvimento do bebé ou no seu bem-estar. O bebé mantém o apetite e não mostra sinais de desconforto. É o chamado “bolsar”.

A fronteira entre o fisiológico e o patológico é muito ténue, mas estima-se que o RGO se torne patológico quando é muito frequente ou severo, quando aparece fora do período das refeições e quando provoca sintomas.

A incidência do RGO patológico está estimada por volta dos 8%.

O refluxo complexo, é o tipo de refluxo que além das regurgitações, provoca uma inflamação dos tecidos esofágicos, causando dor, desconforto, perda de apetite. São bebés que normalmente apresentam crises de choro após as refeições ou durante o sono, com movimentos da cabeça para trás. Nestes casos, muitas vezes há recomendação para tratamento farmacológico com anti-ácidos e/ou protectores gástricos.

O refluxo gastro-esofágico oculto – refluxo sem regurgitações, pouco comum e de diagnóstico difícil devido à ausência de sintomas. Alguma literatura refere que este tipo de refluxo poderá em alguns casos estar associado a uma alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Os bebés que sofrem deste tipo de refluxo são por norma bebés muito irritáveis, com crises de choro frequentes, que têm muita dificuldade em tolerar a posição horizontal, e têm períodos de sono curto, interrompidos de forma frequente. Neste tipo de refluxo há também uma inflamação do tecido esofágico, mas sem que o conteúdo gástrico chegue a ser regurgitado. Quando há suspeita de refluxo oculto, o pediatra pode prescrever tratamento farmacológico para avaliar se há um alivio nos sintomas.

Nos casos mais graves, pode haver sintomas respiratórios como bronquiolite recorrente, tosse persistente, estridor, etc.

Em caso de refluxo complexo ou oculto com importantes repercussões no estado geral do bebé podem ser sugeridos exames complementares de diagnóstico como fibroscopia, endoscopia numa tentativa de visualizar o grau de inflamação dos tecidos, ou uma phmetria, para medir a acidez do refluxo esofágico. São procedimentos bastante invasivos, sendo realizados apenas em casos muito específicos.

Trata-se de uma patologia com um impacto sócio-económico significativo, reflexo dos elevados custos directos (consultas, exames complementares de diagnóstico e medidas terapêuticas), aos quais acresce uma franca diminuição da qualidade de vida.

Apesar disto, muitas vezes, o refluxo complexo e o refluxo oculto são desvalorizados pelos profissionais de saúde, no entanto são situações que têm um impacto enorme na qualidade de vida do bebé e da família.

Estas situações precisam de um acompanhamento adequado e um apoio a estas famílias, essencialmente a estas mães, é primordial!

  • O que fazer para diminuir o desconforto associado ao refluxo?
    Elevar a cabeceira da cama, colocando por exemplo uma lista telefónica por debaixo dos pés da cama;
  • Manter o bebé em posição vertical no mínimo cerca de 15 a 20 min após as refeições;
  • Deitar o bebé virado para o lado esquerdo. Esta posição parece ajudar nos casos de RGO, devido à anatomia do sistema digestivo, parece assim dificultar o retorno do conteúdo gástrico.
  • Mamadas mais frequentes mas menos longas, pois permitem ao bebé não encher tanto o estômago, diminuindo assim o desconforto;
  • Prosseguir com a amamentação. O leite materno é sempre o melhor, pois é o único leite que tem a capacidade de diminuir a acidez do conteúdo gástrico.
  • O pediatra pode ainda prescrever um espessante natural (por norma à base de farinha de alfarroba) para juntar ao leite. No caso dos bebés amamentados, a mãe pode preparar uma colher de café de espessante e dar ao bebé antes de o amamentar. Isto vai ajudar a tornar o leite mais espesso ao chegar ao estômago, dificultando o seu retorno.

Estas medidas não são eficazes para todos os bebés, mas vale a pena testar e ver se tem algum impacto no bem-estar do bebé.

Cuidado ao posicionar o bebé em posição “semi-sentado” pois a compressão do estômago pode piorar o refluxo!

Muitas vezes pode ser necessário introduzir uma terapêutica medicamentosa, esta pode incluir anti-ácidos e/ou inibidores da bomba de protões como omeprazol ou ezomeprazol que vão agir na membrana do estômago diminuindo a acidez produzida pelo próprio estômago. Estes últimos parecem ser os mais eficazes nos casos com sintomas mais graves.

O uso de procinéticos como a domperiona está limitado pelos potenciais efeitos secundários, e é recomendado o seu uso com muita precaução pela maioria das entidades nacionais e internacionais, incluindo a sociedade portuguesa de gastroenterologia.

Os sintomas costumam melhorar com a introdução da alimentação complementar, mas muitas vezes só melhoram substancialmente entre os 12m e os 18m.

Um bom osteopata que tenha experiência com bebés pode ajudar, visto que muitas vezes o refluxo e outros problemas digestivos podem estar associados a uma pressão no nervo hipoglossofaríngeo, localizado na região cervical.

É de extrema importância que os pais estejam informados acerca do refluxo, dos seus sinais e sintomas para poderem evocar esta possibilidade em caso de necessidade.

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