A entrada para a creche… medos e receios!

A entrada para a creche… medos e receios!

A Isabel foi minha colega de faculdade, e um dia, decidiu deixar a enfermagem e dedicar-se à área da educação!

Há uns tempos perguntei-lhe se queria escrever-nos um artigo sobre essa área tão fascinante que é a educação na primeira infância, então surgiu a ideia de falar sobre um dos temas que mais causa apreensão nas mães: a entrada para a creche!

Olá! Eu sou a Isabel, sou enfermeira e frequento, neste momento, a 3º ano da licenciatura em educação básica.

Trabalhei 10 anos como enfermeira, os últimos dos quais em pediatria e, após o nascimento do meu segundo filho decidi abandonar a minha carreira nesta área e apaixonar-me por uma nova carreira, a da educação.

Dentro da vasta área da educação a minha paixão é a educação de infância, mais especificamente a creche.

Em conversa com a Catia, ela desafiou-me a escrever um artigo sobre este tema, e como adoro desafios, aqui está ele!

Vou então falar-vos sobre a minha experiência enquanto mãe de filhos na creche, com a visão que tenho hoje, de alguém que também estuda isto…

As crianças que frequentam a creche têm idades compreendidas entre os 4 meses e os 3 anos de idade. Estamos, portanto, a falar de bebés!

Estes bebés deixam o seu seio familiar para passarem a frequentar instituições onde não conhecem ninguém e onde todas as rotinas são diferentes.

O que pensam os pais da creche? Que medos têm quando deixam os filhos na creche? Como pensam que deve ser o período de adaptação?

Na verdade eu, como mãe, sempre achei que a creche era um mal necessário do qual eu iria tentar proteger os meus filhos. Nunca tinha ido a nenhuma creche, mas sempre tinha ouvido dizer que bom bom é estar com os pais, avós ou até com as amas.

Assim, quando de repente e, sem contar, me vi obrigada a deixar o meu filho na creche, com 5 meses, em que ainda só mamava e era completamente dependente de mim, senti-me perdida, desorientada, angustiada e destroçada… Tive medo que ele estranhasse não me sentir, não sentir o meu coração a bater, não sentir o meu cheiro… medo de como iria ser gerida a alimentação, medo que as pessoas não soubessem compreendê-lo, decifrar aquela linguagem que eu conhecia de cor… Tive medo que ele chorasse ao ver estranhos invadirem a sua intimidade assim de repente, e eu a deixá-lo ali… Sinceramente? Tive medo que ele se sentisse abandonado.

Então e o período de adaptação? Ainda hoje (passados 2 anos) eu sinto que estou em período de adaptação… todos os dias me custa ter que o deixar… todos os dias sinto que estou a perder o melhor da infância dele… o melhor da minha vida!

No entanto, a vida é mesmo assim e há aspectos que não conseguimos controlar. Sentimo-nos invadidas por uma nuvem de sentimentos, emoções e culpa, sem ter possibilidade de escolha. Precisamos trabalhar, e isso na maioria das vezes não é negociável. Temos de trabalhar e temos que levar a vida para a frente.

Assim, ao dedicar-me ao estudo da educação e, ao interessar-me por conhecer e compreender este bicho papão que era para mim a creche, descubro um mundo mágico onde as principais finalidades são:

– Desenvolvimento de um sentido de segurança e autoestima;

– Desenvolvimento da curiosidade e ímpeto exploratório;

– Desenvolvimento de competência social e comunicacional.

Desta forma, percebi que a creche é muito mais do que um estabelecimento onde deixamos os nossos filhos e onde lhes satisfazem as suas necessidades básicas de alimentação, higiene, conforto, sono, etc.

A creche é uma instituição educativa que educa as crianças, tendo por base, o seu conforto e segurança. Aqui trabalha-se com relação, com afectividade e com amor. Entende-se a criança em todo o seu desenvolvimento e olha-se a criança como um ser global e não apenas como uma parte.

A organização do espaço, a escolha dos materiais devem ser pensados e todo o ambiente educativo é fundamental para que a criança cresça de forma saudável em todas as suas dimensões.

A relação adulto/criança é a base do bom funcionamento da creche e, é nesta relação que todo o trabalho realizado assenta. A creche cuida e educa, de forma contínua e com relação.

Se devemos deixar os nossos filhos na creche? Devemos fazer aquilo que temos necessidade de fazer, garantindo que, no caso de optar por uma creche, esta seja de qualidade e seja parceira de cuidados à criança com a família, de forma a que a criança esteja sempre, mas sempre, no centro dos cuidados!

Isto é um critério fundamental para um crescimento feliz e saudável, para uma criança segura de si própria e amada.

Isabel Pulido, mãe, enfermeira, aluna do 3o ano do curso de educação básica