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O adolescente diferente da norma!

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Hoje escrevo sobre um tema que me faz sair da minha zona de conforto: o adolescente com características especiais.

Embora trabalhe na área da pediatria há precisamente 11 anos, e a pediatria englobe crianças dos 0 aos 18a, o meu trabalho está vocacionado para os primeiros 3 anos de vida da criança.

A primeira infância é sem dúvida a minha área de eleição, onde me sinto mais à vontade, onde tenho mais competências e mais experiência.

No entanto, hoje resolvi sair da minha zona de conforto e vou escrever sobre os adolescentes. Mais precisamente sobre os adolescentes que têm características especiais que os tornam diferentes da norma.

Porquê que senti necessidade de escrever sobre isto?

Ao longo da minha carreira hospitalar, fui sendo confrontada com adolescentes nestas circunstâncias, mas agora, isso toca-me também a nível pessoal.

Agora estou a viver a coisa do outro lado: sou mãe de um desses adolescentes. Bom, pré-adolescente.

E escrevo por duas razões: a primeira, porque escrever me ajuda a clarificar ideias, e a segunda porque acho que é importante que possamos falar sobre isso.

Porque todas as pessoas que lidam com estes jovens – família, professores, educadores, e a sociedade em geral – precisam estar sensíveis a isto.

Crescer com uma (ou várias) característica física ou intelectual que nos torna diferentes (seja uma doença crónica, uma deficiência física, ou uma perturbação intelectual como PDAH ou perturbação do espectro autista), é sempre um grande desafio.

Mas de um modo geral, com fases mais ou menos difíceis, a criança vai colaborando nos tratamentos e/ou terapias.

Até chegar à adolescência. Aqui tudo muda.

O adolescente têm uma necessidade intrínseca e muito intensa de identificação com os pares, e ser diferente é um enorme obstáculo nesta fase.

Arrisco dizer que esta necessidade de um adolescente é tão primordial em termos de desenvolvimento emocional como a necessidade de contacto físico de um bebé pequeno.

Ser diferente nesta fase é realmente um grande peso. Então, na maioria das vezes o adolescente acaba por negar todas as características que o tornam diferente.

Recusa medicação, recusa o acompanhamento, recusa as terapias. E essencialmente sente uma grande revolta e injustiça.

É uma fase muito complicada porque coloca em causa o bem estar físico e emocional do adolescente, o equilíbrio familiar, o impacto no desempenho escolar é muitas vezes enorme e o impacto saúde pode ter consequências muito graves.

Neste momento, é ainda mais importante que os adultos possam estar à escuta, ter uma grande capacidade de encaixe, uma enorme dose de empatia e muita, mas muita paciência!

Esta fase é um grande desafio, exige um grande jogo de cintura e muito auto-controle. Como profissional, digo que é preciso muita determinação, dedicação, resiliência e amor.

Como mãe, não tenho uma fórmula mágica para ultrapassar isto (quem me dera!) mas acredito essencialmente no amor e na empatia, embora essa empatia seja constantemente posta à prova.

É difícil lidar constantemente com comentários hostis e provocatórios, mas tento lembrar-me de que para ele tudo isto é ainda mais difícil de lidar do que é para mim…

A adolescência é uma fase por si só muito complexa, e ainda me lembro bem da minha, e tento usar essas lembranças para me ajudarem nesta fase. (Escrevi sobre isso aqui)

e quando para além disso temos outras características associadas, a mistura fica muito perigosa e exige uma manipulação delicada até que estabilize…

E por aí, há mães de adolescentes com características diferentes, sentiram isto? Como fizeram para conseguir lidar e ajudar o vosso filho?

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