O teu filho porta-se mal? Não te obedece? Estarás a falhar?

O teu filho porta-se mal? Não te obedece? Estarás a falhar?

Estamos rodeadas de maternidade cor-de-rosa. Publicidade, novelas, filmes, influencers… um retrato onde a maternidade parece tão fácil. 

Somos condicionadas a alimentar crenças baseadas na maternidade de novela… é suposto a criança portar-se bem, é suposto a criança obedecer aos seus pais. Se isso não acontece, então os pais estão a falhar. Não sabem educar uma criança. É suposto a criança ser tranquila. Obedecer. Respeitar. Portar-se bem. 

Depois, tornamo-nos mães. Uma realidade maravilhosa, claro, mas longe de ser fácil, onde a criança tem comportamentos difíceis de gerir, onde não obedece facilmente, onde não se porta sempre bem. 

E aí o nosso subconsciente, agarra em todas as crenças e grita-nos bem alto “o teu filho não se sabe comportar, está a desafiar-te, não tens autoridade sobre ele. Não sabes educar uma criança. ESTÁS A FALHAR.” 

“Como assim, a falhar?! Não posso!” 
Então tentamos controlar a criança, castigar a criança, obrigá-la a obedecer. A respeitar a nossa autoridade. 

Mas, na verdade, nem tudo é sobre nós. 

A criança pequena é demasiado egocêntrica para poder pensar em fazer determinada coisa para nos atingir. A criança pensa no seu bem-estar. Só isso lhe importa. 

Uma birra, um comportamento desafiador, nada mais são do que expressão de emoções e dificuldades. Dificuldades em gerir essas mesmas emoções. Não é uma questão de autoridade. Uma criança pequena que faça a mesma coisa N vezes, apesar de já lhe ter sido dito para não o fazer, não está a desafiar-nos. Está a desafiar-se a si própria. Quer sentir o bem-estar de ser capaz de subir acima de uma cadeira, de treinar as suas capacidades motoras, de perceber que é capaz! 

Uma criança que faz uma birra não está a fazer-nos um ataque pessoal. Está a dizer-nos que lhe é difícil lidar com tudo o que está a sentir. 

O modo como encaramos o comportamento dos nossos filhos condiciona a nossa reação. Compreender o comportamento da criança permite que o nosso ego deixe de se sentir ferido. 

E quando isto acontece, o nosso consciente consegue também ele gritar: “Isto não é um ataque pessoal. A minha criança não precisa de autoridade, precisa de ajuda para lidar com o que sente!”