Desafio Covid-19 na nossa família numerosa

By

Sabíamos que isto poderia acontecer, mas acho que na verdade nunca se está realmente preparado… principalmente quando tentamos cumprir a nossa parte com todos os cuidados associados. 

Há meses que não estamos com amigos, o pai só sai para trabalhar ou ir às compras, eu só saio para ir às compras por norma 1x por semana (e sim, psicologicamente começo a sentir bastante os efeitos deste isolamento), os miúdos esses claro, continuaram a ir à escola. 

De onde veio não sabemos. Sabemos que houve um foco na escola dos pequenos, mas não é certo que tenha vindo daí. A verdade é que um dia o pai começou com dores musculares, no dia seguinte eram tão fortes e tão diferentes das dores musculares que ele conhece que resolveu ir fazer o teste. Entretanto eu comecei a ficar subfebril, sempre nos 38, com dores de garganta e dores musculares. Os miúdos mais pequenos andavam constipados, com o nariz muito apanhado, mas nada de mais. 

Chegou o resultado do teste do pai: positivo. 

Organizei-me para ir com a tribo fazer o teste a todos. E de repente mergulhámos neste mundo meio desconhecido meio assustador. 

Resultado: todos positivos excepto o Duarte e o Francisco. O Duarte seria relativamente fácil isolar, qual adolescente que se sente como peixe na água no seu território, vulgo quarto, mas o Francisco do alto dos seus cinco anos seria bem mais complexo. 

Não sabíamos muito bem o que esperar, por isso era tempo de pensar na parte prática: tinha ido às compras no dia anterior, e normalmente tínhamos stock para uma semana sem precisarmos de sair. Menos uma preocupação. 

O nosso maior medo, era pensar em como  ficariam os miúdos se ficássemos os dois realmente mal e precisássemos de cuidados hospitalares… mas escolhemos não entrar em pânico e ir avaliando a necessidade de pedir a uma das avós para vir de acordo com o evoluir da situação. 

A realidade certa era esta: íamos estar pelo menos 10 dias em isolamento com 5 miúdos, quase todos doentes, na incerteza de como iria ser a evolução do bicho. 

Recebemos, no dia seguinte, uma mensagem da segurança social a perguntar se precisávamos de ajuda com as compras ou com as crianças, confesso que fiquei agradavelmente surpreendida, mas não posso tecer comentários acerca da eficácia na prática porque felizmente não foi necessário! 

Os miúdos estiveram sempre bem, com muito poucos sintomas, sempre em forma e com a energia típica que os caracteriza, contrastando fortemente com a nossa falta dela.

Ninguém teve sintomas graves e isso por si só já é fantástico, mas os sintomas arrastam-se, e ainda persistem. E são chatos p’ra caramba! 

O pai sofreu mais com dores musculares intensas e que ainda persistem, já no meu caso, foi uma soma de várias coisas entre elas dor de garganta, tosse, febre, diarreia, dores de cabeça… 

Ambos sentimos um cansaço fora de série, difícil de gerir mesmo para quem já está habituado ao cansaço meio crónico, típico de quando se tem filhos pequenos e se passa vários anos numa espécie de montanha russa da privação de sono… 

Simplesmente não havia energia. Mas havia 4 crianças eléctricas e um adolescente que precisavam de ser alimentados e minimamente cuidados. E não foi fácil. 

Mas foi preciso descomplicar. Fez-se o que se pode. Viram mais tv que o desejável. As refeições nem sempre foram cuidadas.

Eu e o pai revezávamo-nos, umas vezes cozinhava ele, outras eu e no período crítico o jantar foi livre três dias seguidos, o que significa que cada um come o que quer, que não há legumes nem preocupação com refeições equilibradas. 

A preocupação naquele momento era uma: sobreviver da melhor forma possível ! 

O Duarte apesar dos cuidados acabou por ficar positivo, praticamente sem sintomas, e o Francisco apesar de estar sempre connosco e com os irmãos foi o único que para já não testou positivo. 

Os dias foram passando, aos poucos fomos recuperando sem grandes mazelas, embora me sinta numa montanha russa em que ora acordo e me sinto super em forma e cheia de energia, ora de repente começo a sentir-me menos bem, novamente com dores de cabeça e dores musculares. 

As crianças estão bem, em férias escolares, totalmente recuperadas, só o Manuel mantém alguma tosse. O medo das complicações tardias neles é grande, mas não podemos viver focados em algo que não podemos controlar, então respiramos fundo e esperamos de todo o coração que o pior tenha realmente passado! 

You may also like

scriptsell.neteDataStyle - Best Wordpress Services
error: Content is protected !!
Don`t copy text!